Delphi orientado à objetos – parte 1

Jul 27
2010

Já tem um bom tempo que programo com Delphi. E sempre ouvi críticas pesadíssimas sobre o quanto a linguagem é ruim. Eu sempre acreditei que existiram sempre programadores ruins e que os programas saiam ruins, o que gerou essa impressão negativa, bem como os vários problemas que a Borland (fabricante do Delphi, agora CodeGear) impôs nas mudanças de versão. Assim, resolvi desmistificar essa coisa de que é impossível programar orientado à objetos usando o Delphi.

Segue o material do nosso último treinamento, sobre como usar o Delphi, orientado à objetos.
Embora pareça que estamos trabalhando com OO desde sempre, afinal instanciamos objetos baseados em classes, isso não é inteiramente verdade.
Como me disse um professor certa vez: “Seu sistema é orientado à objetos? Ótimo. Me mostre a sua classe NotaFiscalSaída.”

Assim achei por bem usar um exemplo bem simples, estados e cidades para mostrar o poder que o Delphi tem e de quebra demonstrar que o que está errada é a maneira como programamos e não a linguagem que usamos, seja ela qual for.
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Foco na solução?

Jul 27
2010

Um paciente vai num consultório psicológico e diz pro doutor:
- Toda vez que estou na cama, acho que tem alguém embaixo.
Aí eu vou embaixo da cama e acho que tem alguém em cima. Pra baixo, pra  cima, pra baixo, pra cima.
Estou ficando maluco!
- Deixe-me tratar de você durante dois anos. -diz o psicólogo.
- Venha três vezes por semana, e eu curo este problema.
- E quanto o senhor cobra? – pergunta o paciente.
- R$ 120,00 por sessão – responde o psicólogo.
- Bem, eu vou pensar – conclui o sujeito. Passados seis meses, eles se encontram na rua.
- Por que você não me procurou mais? – pergunta o psicólogo.
- A 120 paus a consulta, três vezes por semana, dois anos, ia ficar caro  demais, ai um sujeito num bar me curou por 10 reais.
- Ah é? Como? – pergunta o psicólogo.
O sujeito responde:
- Por R$ 10,00 ele cortou os pés da cama…
Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser muito simples!

HÁ GRANDE DIFERENÇA ENTRE FOCO NO PROBLEMA E FOCO NA SOLUÇÃO!!!

O direito ao palavrão

Apr 24
2009

Gente, tem um tempo eu estou correndo do Ctrl+C e Ctrl+V mas esse texto é excelente. Se é do Veríssimo eu não sei, mas o cara que escreveu é um gênio.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a “vulgarização” do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.

“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas Pra caralho, o Sol é quente Pra caralho, o universo é antigo Pra caralho, eu gosto de cerveja Pra caralho, entende?
No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!”.

O “Não, não e não!” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não” o substituem. “Nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma! . O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”, “chepne”, “repone” e, mais recentemente, o “prepone” – presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “Puta-que-pariu!”, ou seu correlato “Puta-que-o- pariu!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba… Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o- pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cú!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cú!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cú!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”. Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”? O “foda- se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”. O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!.

Grosseiro, mas profundo… Pois se a língua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o Prof. Pasquale explicaria melhor. “Nem fodendo…”

Original em O direito ao palavrão – Luis Fernando Veríssimo.

As dúvidas de um homem de quase 30

Apr 12
2009

Para quem não sabe, em julho agora faço meus 30 anos. Uma data muito marcante para mim.

Eu estudo a informática (ou computação) desde 1989 e pude ver muitas mudanças nas tendências, desde àquela época até os dias atuais. Naquele tempo a tela era de duas cores (VGA e SVGA), os computadores guardavam no máximo 10MB (coisa de gente rica) e quase qualquer programa roda nos disquetes de 720KB.

Nos anos seguintes eu vi o SuperCalc, o Lotus 123, o dBase e o WordStar como as coisas mais incríveis do reino da informação. E não havia entretenimento melhor do que o Prince of Persia.

Os anos foram passando e sempre me interessei por programação. Meu sonho de infância era criar meu próprio jogo, coisa que abandonei há bastante tempo. Mas continuei na programação e aprendi o meu esquecido Clipper 5.2 (um clássico) e anos mais tarde a ferramenta que me sustenta até hoje, o Delphi.

Não pretendo falar mal do Delphi, mas acredito que o poder dele na minha vida deve acabar. Nada do que se faz hoje em dia segue a maneira com que se trabalha nessa ferramenta. Por isso tento tão desesperadamente me livrar dele e aprender novas ferramentas.

Entendam, isso não é o desabafo de um cara de meia idade, até porque só consideram de meia-idade as pessoas de 40. Uma conta que eu considero injusta. Acredito que as pessoas de meia-idade, levam esse nome porque estão no meio de sua vida produtiva, ou por assim dizer, no meio de suas vidas. O auge, o topo. Depois dali é só declínio.

Posso afirmar com certeza quase que matemática que uns 70% dos meus concorrentes, ou das pessoas que se destacam em suas áreas nasceram nos anos em que eu digitava no WordStar. Olho para minha turma de faculdade e confirmo isso quase todas as noites.

Falando dos meus concorrentes, sempre gostei de pensar que tenho vantagens sobre eles. Sei um inglês bem porquinho, que aprendi no colégio, treinei com filmes sem legendas e músicas de bandas esquecidas. Mas acima disso, sempre pensei que minha experiência seria meu grande diferencial, afinal, vi a internet chegando a minha cidade (Paranavaí) e vi as mudanças dos sites daquela época pra hoje.

Mas voltando a falar de programação, ou das dúvidas que citei no título, conversei esse final de semana com um bom amigo meu, que conheci na faculdade. Ele hoje está em Curitiba, trabalhando com web. Não sei dizer o ramo específico, porque sempre que pergunto, nunca entendo bem a resposta. Basta dizer que lida com a web.

Contei a ele das coisas que ando estudando (JAVA, CSS e UML). Qual não foi meu desapontamento, ou o dele também, ao ouvir essas palavras. Vou tentar transcrever um pouquinho dessa conversa:

enquanto se fala de scrum, tu estuda uml.

enquanto se fala de rails, tu estuda java

enquanto se fala de microformats, tu estuda css

Um detalhe importante, sobre o amigo, ele deve ter pelo menos 10 anos menos do que eu.

Eu poderia passar o resto da noite falando de várias dúvidas que isso trouxe, mas vou focar nestas:

  • A minha tão aclamada experiência realmente é uma vantagem nesse momento?
  • Com tanta coisa nova surgindo e nada disso sendo debatido no mundo acadêmico, de que vale ter experiência naquilo que está prestes a morrer?
  • Essa experiência que deixou minhas mãos por 20 anos em cima dos teclados, que me fez achar o mouse uma novidade formidável,  me vale de alguma coisa?

Pois eu acho que sim. Essa experiência hoje me faz ver e filtrar as novidades. Me faz muito mais tranquilo defronte às mudanças e principalmente, me faz perceber rapidamente quando estou errado e corrigir para tornar aquilo que faço melhor.

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